O QUE GERENTES PODEM E O QUE ELES NÃO PODEM FAZER EM RELAÇÃO À MOTIVAÇÃO

“Com uma baioneta pode se fazer tudo, menos sentar-se em cima dela.” A frase atribuída a Napoleão Bonaparte pode ser usada para falarmos sobre a motivação. A razão é que por ser a motivação uma força interna, pessoal, o único que pode fazer tudo, inclusive sentar-se em cima dela, é o indivíduo e ninguém mais.

O papel da organização e da gerência se restringe a prover as condições necessárias para que as pessoas se auto-motivem. O que, convenhamos, já é, em si, um enorme desafio.

Existem vários obstáculos colocados à gestão eficaz da motivação humana, e eles incluem desde as variações de interesses, necessidades e objetivos individuais até as questões estruturais (sócio-econômico-organizacional) para atender múltiplas demandas.

Sob a perspectiva de cada indivíduo, é possível encontrar três diferentes perfis quando o assunto é motivação: (1) aqueles que estão 24 horas motivados; (2) aqueles que estão motivados metade do tempo apenas (12 horas) e, (3) os que estão quase sempre insatisfeitos.

Sendo assim, aproximadamente dois terços do grupo serão pouco ou nada afetados pelos esforços gerenciais e organizacionais para criar um clima de satisfação no local de trabalho. O grupo meio período motivado é o mais susceptível a ser parcialmente influenciado pela ação externa (gerencial e organizacional).

Mesmo o gerente babysitter* acaba, mais dia menos dia, percebendo-se impotente diante do complexo mundo da auto-motivação. O que é bom, já que o reconhecimento dos limites contribui para atenuar o seu sentimento de culpa e desenvolver uma visão realista e pragmática diante do fenômeno motivacional e da gestão de pessoas.

É preciso clareza e coragem para aceitar que A FUNÇÃO DO GERENTE NÃO É MOTIVAR, NEM DESMOTIVAR E, SIM, FORMAR UMA EQUIPE DE ALTA PERFORMANCE E AUTO-MOTIVADA. Para isso, escolha as pessoas certas, ou seja, cuide de selecionar e manter uma equipe competente tecnicamente, e emocionalmente preparada. Em outras palavras, uma equipe adulta e madura que não reivindique ser motivada para fazer o que deve ser feito.

Preocupa-se menos em motivar e mais em delegar responsabilidade, conceder empowerment (autoridade), prover feedback, desafiar a equipe, envolver o subordinado no planejamento e nas decisões e assim por diante. Acompanhe o dia-a-dia da equipe não apenas por meio de relatórios e reuniões, mas nas condições reais de ambiente e temperatura. Seja justo ao avaliar ou tomar decisões quanto a mérito e promoções. Converse com franqueza sobre o potencial e as oportunidades de carreira de cada subordinado. E, se for o caso, torne-se um coach ou um mentor.

O conjunto dessas ações constitui a forma indireta, porém, poderosa, de facilitar a auto-motivação do grupo de trabalho no sentido amplo, pois inclui subordinados, pares e superiores.

Ah! É bom não esquecer: esteja motivado, dê o exemplo!

No mais, há espaço para a diversidade humana. Alguns são hábeis em pesquisar, calcular e em encontrar novas soluções. Outros planejam melhor. Há os que gostam de contatar pessoas, enquanto outros preferem trabalhar com coisas, equipamentos e sistemas. Coloque a pessoa certa, no lugar certo e com as ferramentas adequados e é quase certeza absoluta que você terá um profissional ocupado, produtivo e motivado.

Eventualmente, você terá que lidar com um colaborador talentoso e competente, porém, insatisfeito. Descubra a causa. Veja o que deve ser feito para recuperar a antiga paixão pelo trabalho. Se houver saída, trabalhem nela. Caso contrário, o desenlace é a melhor solução para ambos.

A regra é simples e ela diz que cada indivíduo é o principal interessado e responsável pelo próprio destino. Somos a maior autoridade em assuntos relacionados à nossa vida e carreira. Por conseguinte, não delegue para o seu chefe algo que ele nunca estará preparado para fazer: cuidar de você, das suas escolhas e de sua motivação.

* O gerente babysitter é um conceito que usei em vários artigos para criticar as idéias paternais / maternais que poluem o papel gerencial e reduzem o subordinado à condição de um ser dependente que precisa ser protegido, paparicado e manipulado.

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  1. #1 por olavio em agosto 16, 2009 - 10:20 am

    esta materia é muito enriquecedora para area de rh

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